O crédito bancário costuma despertar dois tipos de sentimento no empresário: o de alívio imediato ou medo absoluto.
Culturalmente, fomos ensinados a ter medo de dívidas. E não sem razão: pegar dinheiro emprestado sem planejamento é a maneira mais rápida de colocar uma empresa em apuros. Por outro lado, as maiores corporações do mundo utilizam capital de terceiros constantemente para crescer em velocidade recorde.
Afinal, crédito bancário é bom ou ruim? A resposta é: depende dos seus números.
Fazer um empréstimo não deve ser uma decisão baseada na emoção (“estou sufocado”) ou na facilidade (“o gerente ofereceu”). Deve ser uma decisão embasada em dados e números.
Se você está em dúvida se deve ou não contratar crédito bancário, esqueça a intuição e olhe para seus indicadores financeiros. Veja como fazer essa análise:
O princípio básico: O custo do dinheiro vs. o retorno do dinheiro
Antes de assinar qualquer contrato, você precisa entender o ponto mais importante: o dinheiro que entra deve gerar mais valor do que o custo para devolvê-lo.
No mercado financeiro, chamamos isso de Alavancagem. O crédito bancário serve como uma alavanca para multiplicar um resultado:
- Se a alavanca for usada para cobrir buracos passados, ela quebra;
- Se usada para impulsionar novos projetos, ela funciona.
Como calcular se o crédito bancário vale a pena?
Para saber se o empréstimo faz sentido, você precisa comparar duas taxas: o Custo Efetivo Total (CET) do empréstimo e o Retorno Sobre o Investimento (ROI) projetado.
Vamos ilustrar isso com um exemplo prático:
Imagine que você precise comprar uma nova máquina para aumentar sua produção e não tem o capital em caixa.
- O custo da dívida:
Você solicita ao banco um crédito de R$ 100.000,00.
O banco calcula os juros, taxas e impostos, e define que, ao final do prazo, você terá pago um total de R$ 150.000,00.
Ou seja, o “preço” desse dinheiro é R$ 50.000,00.
- O retorno do projeto:
Com essa máquina de R$ 100.000,00 você estima que conseguirá produzir e vender mais produtos.
Sua projeção conservadora indica que, no mesmo período do pagamento do empréstimo, essa produção extra vai gerar R$ 210.000,00 em novas vendas, já descontando o custo de produção (matéria-prima).
- O resultado (spread):
Lucro do Projeto (R$ 210.000,00) menos o Custo Total da Dívida (R$ 150.000) é igual a R$ 60.000,00.
Conclusão: Neste cenário, você usou o dinheiro do banco, pagou os juros e ainda sobraram R$ 60.000,00 no caixa da empresa. Isso é dívida boa.
Cenário de risco: Se o retorno projetado fosse apenas R$ 130.000,00 você teria prejuízo ao contratar o empréstimo, pois pagaria R$ 150.000,00 ao banco. Nesse caso, a conta não fecha.
O fator “capacidade de pagamento”
Além da lucratividade total mostrada acima, existe um segundo indicador que derruba muitas empresas: o Fluxo de Caixa Mensal.
Pode ser que o projeto seja muito lucrativo a longo prazo, mas você precisa ter certeza de que o valor da parcela mensal cabe no seu orçamento hoje.
Se a parcela do empréstimo consumir mais do que 20% ou 30% da sua geração de caixa livre mensal, você corre o risco de ficar sem dinheiro para o capital de giro (pagar fornecedores e empregados), criando uma nova dívida para pagar a antiga. Isso é o que chamamos de “bola de neve”.
A decisão precisa de dados confiáveis
Para fazer a conta acima dar certo, você não pode “chutar” o retorno do projeto. Você precisa de histórico e projeções realistas.
Muitos empresários erram porque superestimam as vendas futuras ou subestimam os juros compostos.
A diferença entre a alavancagem inteligente e a falência está na qualidade da informação que você tem na mesa.
Um BPO Financeiro garante que você tenha um DRE e um Fluxo de Caixa organizado, permitindo que você enxergue exatamente qual é sua capacidade de pagamento antes de bater na porta do banco.
Não tome crédito no escuro! Analise seus números primeiro.
Se você precisar de ajuda para organizar a casa e ter dados confiáveis para essa decisão, conte com a PowerBPO.





